...no meio da história...
Na cabeça, o carinho do temporal de agosto,
a mão fria do pai nos cabelos do filho.
Fantasia amarela e azul
improvável bobo no descampado.
Os trilhos muito retos
carregavam seus olhos
para lugar nenhum no horizonte verde.
A carne roxa,
por baixo das unhas
amolecidas de umidade,
denunciando o frio de existir.
Isolamento.
O atoleiro ao seu redor,
a própria vida,
chuva impiedosa,
verdade divina,
igualando todas as coisas,
limpando todas as almas.
Não tinha nada!
nada à perder, nada à ganhar
que verdade mais clara...
Andou devagar,
um passo por vez,
as mãos geladas
nos bolsos furados.
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