domingo, 19 de maio de 2013

Tango ao despertar


Tango ao despertar

Amanhecia lentamente
dois graus no horizonte sem cor,
eu e o café bebido
espiávamos o movimento
pela janela da Amarante,
víamos os passantes,
os amantes
andando encolhidos,
voltando das festas,
indo ao trabalho,
valsando,
num passo marcado.
o rádio desbotado,
da velhinha do primeiro andar,
tocava um tango antigo
bem mais que o tempo
tristezas de outra época.
aquele som,
naquele frio,
desfiando lágrimas, maldizendo amores
foi lindo
fechei os olhos para ouvir
e o amargo do café
fez sentido
no céu
da minha boca.

Nenhum comentário:

Postar um comentário