domingo, 1 de dezembro de 2013

óbvios

óbvios

sobre o que,
poderia escrever?
sobre o tempo perdido,
amizades desfeitas,
amores antigos,
sobre curvas perfeitas?
a cidade vibra
ao meu redor,
e eu sem ação
no meio da ação.
congelei.
joguei tudo da ponte,
queimei meu filme,
sujei minhas mãos.
mas escrever sobre o que?
vaidade,
a doença e a carne,
água fria no mate,
sobre o horror do verão?
sobre o que?
não há muito a dizer,
tudo é muito obvio,
todos são,
como devem ser,
adequados,
em qualquer situação.
me deixam sem escolhas,
não sobrou nada,
alem do meu não.

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