desengajado
esses braços não levantam bandeiras,
campeões das causas perdidas.
escuto os gritos,
vejo os fogos,
e nada emociona de verdade,
é só outro ato do circo.
substituir o poder,
subverter a ordem,
é trocar seis por meia dúzia,
homem no lugar de homem,
serpente devorando o próprio rabo.
minha alma não pertence,
nem a Deus ou ao Diabo,
escolho o caminho mais difícil.
EU
um dia após o outro,
a barba crescendo no espelho,
as contas, as dores,
labirinto, brigas de vizinhos,
meu time que não ganha,
o inverno que acaba,
preço do vinho que aumenta.
quer resolver meus problemas?
termine esse poema.
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